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Simplesmente Simples

Sab | 27.10.18

Não Queres Ver? A Vida Mostra!

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Faz em Dezembro 3 anos que um grave acidente de carro mudou a minha vida. Era uma madrugada fria de Dezembro quando um carro veio em contramão e me bateu de frente.

 

De frente bateu o carro no meu, mas de frente bati eu também com vários medos e sentimentos menos positivos. Medo de voltar a conduzir; medo da morte ou incapacidade física; medo da reação do meu pai (uma vez que o carro era dele); medo de represálias, mesmo não sendo dada como culpada (uma vez que tinha algum álcool no sangue- algo que não me orgulho hoje, mas que admito, sem qualquer sentimento de repulsa, pois faz parte da minha história e daquilo por que passei para ser hoje quem sou e aquilo que me define não é de todo o meu passado, mas o que fiz com ele).

 

O carro, apesar do porte grande e forte que caracteriza os mercedes, foi para a sucata pois nada compensava a frente totalmente enfiada para dentro. E eu? De coração completamente partido, mas além disso somente algumas nódoas negras, e dores musculares pelo impacto. Um carro sem arranjo, mas duas vidas sem qualquer dano. Sim, eu ia acompanhada, mas o acidente foi mais uma prova de que há companhias que não valem a pena, há pessoas que não valem o esforço.

 

O que mudou na minha vida com este acidente?

Em primeiro lugar, deixei aquela pessoa e segui a minha vida, cada vez mais de encontro à minha essência. E com isso veio uma mudança de cidade, de trabalho e de vida.

Enraizei ainda mais a crença de que nada é por acaso, pois a vida mostrou-me bem de frente algo que não queria ver – a realidade quanto àquela pessoa. O que se seguiu de um grande caminho de autoestima e amor-próprio.

Poderia alongar-me em tantas aprendizagens que esse acidente me trouxe. Porque apesar de tantas lágrimas e tempos difíceis, há sempre aprendizagens.

 

Mas hoje reflito sobre a superação… Como represálias desse acidente estive 3 meses sem carta de condução; aliada à mudança de cidade vivi cerca de 2 anos e meio sem carro, que juntamente ao medo de conduzir que adveio do acidente podia resultar em paralisação.

Podia ter alimentado esse medo, podia ter deixado de conduzir; ou podia lidar com o medo aos poucos e alimentar a minha sede de independência e liberdade que conduzir me traz.

 

Hoje, quase após 3 anos do acidente, conduzo e já comprei inclusive um carro para mim. Não fico indiferente ao facto de conduzir e andar de carro, não afirmo que superei o medo totalmente, mas lido com o medo de forma leve sem que esse me impeça de realizar o normal quotidiano.  

 

Será que na minha vida existem situações em que alimento o medo? E se em vez de alimentar o medo, alimentasse a vontade de agir, o que mudaria na minha vida?

Agora sei que talvez alimentar o medo não me seja útil. Agora sei que talvez até me possa superar e sentir um enorme prazer quando isso acontece.

Qui | 25.10.18

Sobre Amar e Continuar

A convidada de hoje é a querida Joana. Ela tem  30 anos e diz-se apaixonada pela vida. Adora cozinhar, ler e viajar. Está actualmente a tirar o curso de health coach e após superação de compulsões alimentares e baixa autoestima utiliza hoje as redes sociais para inspirar a aceitação corporal e amor-próprio.

 

A auto-estima não vem de uma hora para a outra, mas quando decidimos aceitar-nos e cuidarmos do nosso coração, ela vem de certeza. Já passei muitos dias a criticar-me, a chamar-me todos os nomes e mais alguns por causa dos meus buraquinhos nas pernas. Já deixei de vestir calções e vestidos e de ir à praia. Já deixei que isto me controlasse. Agora não deixo mais. Agora tudo o que me controla é o amor. E é nele que trabalho todos os dias. No amor. No amor e no respeito por mim própria.

15 anos. Mais de 70 quilos e 1,65m de altura. Uma mãe que sempre me amou muito e que fez o melhor que sabia e conseguia na altura, mas que sempre me comparou muito com o meu irmão e nessas comparações, eu sempre sai a perder. Amigas super magrinhas e com as últimas roupas da moda. Bullying. Dietas. Perda de peso. Compulsões alimentares. Aumento drástico de peso. Uma dieta milagrosa, perda de peso e, de novo, mais compulsões. Resumo da minha vida dos 15 aos 27 anos de idade.

Toda a minha adolescência andou à roda disto mesmo. De perder peso, de fazer dietas malucas, de desenvolver uma compulsão alimentar gigante que durou imensos anos e que me roubou muita coisa. E a verdade é que esta relação com a comida não me roubou só saúde. Roubou-me momentos de felicidade e convívio com os meus amigos. Roubou-me sorrisos, risos e risadas daquelas que nos fazem doer a barriga, roubou-me sonhos, abraços e projetos e roubou-me a minha luz e a capacidade de acreditar em mim mesma. E numa madrugada chuvosa, sentada no chão da cozinha, super enjoada, mas ainda a comer bolachas de chocolate e nutella ás colheradas, percebi que não queria mais aquilo.

Não queria mais sentir-me assim. Não queria mais emagrecer rapidamente se isso significasse me sentir a pior pessoa do mundo e sem energia o dia todo. Se isso significasse ter mais compulsões e me sentir um lixo. Só queria ficar bem.

E foi nesse momento, em que percebi que mais do que ser magra e caber numas calças 36, queria muito sentir-me bem, queria muito sentir-me viva e feliz outra vez, que tudo começou a mudar.

Quando deixei de me agarrar a um ideal de beleza e me comecei a preocupar mais com o meu coração.

Encontrei a minha garra, a minha voz e a minha luz. E com a minha mudança interior, veio toda uma mudança exterior que até hoje se mantém.

Não vos posso dizer que foi um processo fácil e rápido pois estaria a mentir-vos. Este amor que hoje sinto por mim mesma foi construído gradualmente e é um amor que tem de ser fomentado todos e todos os dias. Mas que vale a pena. Vale tanto e sempre a pena.

Comecei a meditar, a escrever tudo o que sentia no meu caderninho, a cozinhar a minha própria comida, a analisar o que potenciava as minhas compulsões com a ajuda de uma psicóloga, a fazer afirmações, a dançar em frente ao espelho, a agradecer diariamente, a trocar as reclamações pelo silêncio ou pelas criticas construtivas. Comecei a cuidar mais do meu coração e a tentar perceber o que me fazia verdadeiramente feliz.

E, hoje em dia, quando me sinto mais ansiosa ou menos bem comigo mesma ou quando as minhas inseguranças corporais vêm ao de cima... tomo um banho quente, faço um chazinho, leio o meu livro favorito ou canto uma qualquer música brasileira e aceito... aceito que nem sempre posso estar a 100% ou sempre cheia de energia e repito para mim mesma “Está tudo bem Joana. Esse aperto no coração vai passar. Respeita o teu tempo e o teu momento. Como te sentes agora não te define nem te desvaloriza. Estás bem e tudo irá ficar bem. Estás segura. E vales muito. E vales sempre muito. Cuida de ti. Do teu coração e da tua luz. Dessa luz que trazes dentro do peito. Cuida da história de amor que tens contigo mesma. Essa sim... é e sempre será uma história de amor para a vida toda. Está tudo bem.”

 

Este testemunho sincero da Joana poderá contribuir com algo para a minha vida e crescimento?

O que poderei fazer hoje para ultrapassar estas incertezas e desamor pelo que considero serem as minhas imperfeições?

 

Segue a Joana: aqui!

Ter | 23.10.18

Pão de Batata Doce

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Admito-me como fã de batata doce. Como tal, ora aqui vai mais uma receita em que a batata doce pode brilhar e mostrar todo o seu esplendor.

 

Ingredientes:

// 375g batata doce pré-cozida ou assada

// 100g farinha Teff

// 100g farinha de arroz

// 50g amido de milho

// 20g fermento desidratado sem glúten

// 150ml de água morna

// 1 colher de sopa de azeite

// sal q.b.

// temperos a gosto (usei noz moscada e gengibre)

 

Preparação:

Mistura o fermento com a água e deixa repousar enquanto preparas os restantes ingredientes.

Esmaga a batata doce.

Coloca os restantes ingredientes e amassa tudo até obteres uma mistura homogénea. Consoante o tipo de batata doce que utilizares pode ser necessário acrescentar mais ou menos farinha, aconselho-te por isso a adicionar a farinha aos poucos.

Adiciona o fermento à massa obtida anteriormente e volta a amassar.

Deixa a massa repousar até que esta cresça consideravelmente.

Coloca o pão no forno pré-aquecido a 180 °C por cerca de 30 minutos ou até estar dourado do teu agrado.

 

Delicia-te!

Sab | 20.10.18

Aceitação Corporal . Amor-próprio . E Agora?

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  Nesta moda viral de aceitação corporal e amor próprio permito-me refletir sobre isso.

Que bom que é aceitarmo-nos como somos. Tão importante que é o amor próprio. Tanto que preciso de amor e aceitação.

 

“Tens que te amar!

Tens de aceitar o teu corpo!

Tens de olhar para ti com olhos de amor!

Tens de aceitar o teu corpo, independentemente de como te vês ao espelho!!”

 

Chega! Obrigações, criam mais limitações e menos amor. O “ter que” cria uma desordem interna contra aquilo que sinto!

E se não gostar do que vejo? E se me amar, mas houver dias que me desame? E se aceitar o meu corpo, mas houver dias em que não consigo tolerar o que vejo?

 

Sim, eu posso amar o meu corpo, mas se há dias que não amo, está tudo certo. Sim, eu posso cuidar de mim, mas se há dias em que estou cansada, também me posso entregar a esse cansaço.

 

Uma luta constante com o “tenho que”, com o que realmente sinto... Uma obrigação de amar e aceitar contra o que vejo e penso.

Talvez desta desordem interna venham os distúrbios alimentares. “Não gosto do que vejo, mas tenho de me amar e aceitar, então vou fazer de tudo para que o amor venha e a imagem mude.” “Tenho de aceitar o corpo, então talvez se não comer consiga atingir o corpo que quero.”

 

Qual a linha que separa o ideal do aceitável?

 

Uno-me nesta moda de aceitação e amor, mas mais ainda uno-me à moda do “poder” em vez do “ter que”. Posso amar-me, não tenho que me amar.

Uno-me à liberdade de dizer “sim, eu aceito”. Mas também de dizer: “não, eu não aceito”.

Uno-me a moda do “é o que é e está tudo bem”! Está tudo bem se hoje me amo e amanhã me desamo. É o que é e está tudo bem se hoje venero o meu corpo e amanhã não gosto do que vejo.

Importante será saber durante quanto tempo me duro no amor? Por quanto tempo fico no desamor?

Relevante é a liberdade literal da palavra aceitar. E aceitar, é dizer sim aos momentos sim e dizer sim nos momentos não.

Qua | 17.10.18

Tudo Igual, Tudo Diferente!

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Tantas vezes ouço lamentações de que está tudo igual. Pessoas fartas desta vida, que se lamentam de que nada muda. Esperam uma mudança, uma luz ou um sinal.

 

A essas pessoas gostava de dar um ótima e péssima noticia:

  Avida não muda, as coisas à tua volta podem nunca mudar!

 

A parte positiva: Tu podes mudar! O facto de tudo à tua volta estar igual não significa que tu também estejas igual. Tu mudas a cada dia!

A parte negativa: Tu és responsável pela tua vida! Vais ficar a lamentar a igualdade de sempre, ou vais fazer acontecer algo diferente?

Seg | 15.10.18

Felicidade ao Meu Alcance

Hoje é com a querida Sofia que me inspiro.

A Sofia tem 32 anos e divide a sua paixão entre o marketing, a escrita e o desenvolvimento pessoal. Ela acredita que podemos sempre ser mais felizes se formos genuínos e verdadeiros connosco mesmos.

Inspirada nessa felicidade a Sofia tem um blog - um espaço de partilha nesta busca da felicidade e sobre ser mais feliz. Como mote do seu projecto a Sofia desafia-nos: “be happy, be bright, be you!”

 

Falar de felicidade é falar de algo tão abrangente quanto pessoal. Não é possível ter um conceito do que é ou deve ser a felicidade, porque ela é diferente de pessoa para pessoa. Só tu sabes o que te faz feliz. Mas a tua felicidade, será possível defini-la? E, mais do que defini-la, será possível tê-la mais presente no teu dia-a-dia?

 

Embora não se possa chegar a um conceito único sobre o que é a felicidade, existem alguns exercícios que te podem ajudar, não só a perceber o que é a felicidade para ti, mas também como a tornar mais presente e viva no teu dia-a-dia. Para isso, proponho-te 3 exercícios que também já apliquei e continuo a aplicar nesta minha caminhada por uma vida mais feliz.

 

#1 Lembras-te quando eras criança?

O primeiro exercício tem o objetivo de avivar as tuas memórias. Pensar em ti em criança, o que gostavas de fazer, o que te entusiasmava podem dar-te pistas interessantes sobre a tua essência. Isto porque quando somos pequenas temos menos filtros e é-nos mais fácil ser genuínas. Pega num papel e numa caneta e começa a relembrar “Em criança eu era” … “Em criança eu gostava de…”. Quanto dessa criança que foste um dia ainda existe em ti? E o que podes ajustar em ti hoje para espelhares um pouco mais daquilo que eras/fazias e te enchia a alma?

 

#2 O que tens para agradecer?

O segundo exercício exige de ti a capacidade de estar presente no momento presente e de estares grata por tudo aquilo que és e tens. Não o que foste ou fizeste, não o que serás ou farás. Repito, o que és e tens hoje. Cria um caderno de gratidão e o hábito de agradecer todos os dias ou, pelo menos, algumas vezes ao longo da semana. No princípio pode parecer-te um exercício estranho e complicado, mas com o treino vais começando a perceber o que faz palpitar o teu coração de gratidão. Começa já. O que tens para agradecer hoje?

 

#3 Como seria o teu dia perfeito?

Este terceiro exercício tem o objetivo de puxar pela tua imaginação. Tenta fazê-lo da forma mais sincera possível, sem julgamentos ou preconceitos. Se não existissem quaisquer constrangimentos (por exemplo de dinheiro, pessoas que dependem de nós, etc.) como seria o teu dia perfeito - de dia à noite? A partir desse relato, a questão que se impõe é: quanto existe deste dia perfeito no teu dia-a-dia? E o que podes fazer para, a pouco e pouco, ires acrescentando pitadas dessa perfeição aos teus dias?

 

Com estes 3 exercícios estimulas-te a reavivar o passado, agradecer o presente e imaginar o futuro. Combinando-os irás perceber pontos de ligação entre o que foste, o que és e o que queres ser. E esses pontos de ligação são a tua essência - e só ela te pode dar a resposta sobre o que é a tua felicidade e de que forma a podes tornar mais viva e presente no teu dia-a-dia.

 

Estes são apenas alguns exercícios que podes fazer para definires e viveres mais a tua felicidade. Pratica-os as vezes que forem necessárias. A felicidade é algo dinâmico, que evolui contigo, por isso exercícios como estes ajudam-te sempre a crescer e conversar contigo mesma.

 

Segue a Sofia: aqui e aqui!

Sex | 12.10.18

Bolachas em 3, 2, 1

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Snacks de qualidade é algo que me interessa, pois, eu e os snacks caseiros no trabalho somos os melhores amigos.

Hoje deixo-vos uma receita de bolachas sem glúten, sem leite, sem açúcar, mas com muito amor e sabor 😊 Com 3 passos e voilá, bolachas na mão!

 

Ingredientes:

// 1 banana

// 1 scoop de proteína de cânhamo

// 2 colheres de sopa de farinha de linhaça

// 2 colheres de sopa de aveia sem glúten

// canela q.b.

// gengibre q.b.

 

Preparação:

Esmaga a banana.

Coloca os restantes ingredientes e mistura tudo até obteres uma massa homogénea.

Molda as bolachas e coloca no forno pré-aquecido por cerca de 10 min.

 

Simplesmente simples e delicioso!

Qua | 10.10.18

Eu Mereço, e Tu?

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Durante muito tempo achei que não era merecedora. Só agora olhando para trás vejo como me boicotei e autossabotei. Afirmava: “Sim, eu acredito que mereço, mas tenho de fazer isto para conseguir.” “Eu sei que mereço, só que nunca recebo.” Expressões como “mas” e “só que”, não me faziam vibrar o sentido de merecimento como o sinto hoje. O “mas”, oculta tudo aquilo que se profere anteriormente, o “só que”, implica uma condição.

 

Sou merecedora, sem condições ou obrigações, simplesmente porque sim. Pelo meu valor intrínseco sou merecedora, tanto como todas as pessoas.

 

De onde virá este sentimento de não merecimento?

De onde vem o sentido de obrigação de algo para merecer?

Quem disse que para merecer existem condições?

 

Em reflexão surgem-me as palavras recompensa e elogio… Em criança ouvimos: “Porta-te bem para te dar aquilo.” “Que linda, comeste tudo.” “Que menina bonita, fez os tpc todos.” Criaremos nós o sentido de merecimento com estas afirmações?

Talvez a forma como surgem os elogios, talvez a forma como me incutiram o merecimento me tenha levado durante muito tempo a não me sentir realmente merecedora, incluindo tudo o que essa bela palavra implica.

Não culpo a educação que tive, pois os meus pais fizeram o melhor que podiam com os recursos que tinham. Mas de que serve o passado senão para aprendermos e termos a possibilidade de crescer com ele?

 

O merecimento não tem condições. O merecimento não subentende raças, faixas etárias, sexo, genética, sorte ou azar. O merecimento surge de igual forma para todos. Acredito hoje que todos somos verdadeiros merecedores.

 

Daí surge-me mais uma questão… sentimo-nos merecedores porque temos algo? Ou temos algo porque nos sentimos merecedores? Onde começa o sentimento, de fora, ou de dentro?

Hoje sei que talvez me possa sentir merecedora mesmo antes de ter ou acontecer. Talvez se me sentir realmente merecedora até atraia para mim aquilo que realmente desejo.

Talvez em vez de “ver para crer”, possa “crer para ver”.

 

Seg | 01.10.18

Sempre Zen: Será?

O testemunho de hoje é o da Patrícia, criadora do projecto Nem Sempre Zen.

A Patrícia tem 42 anos, é Mestre de Psicologia Clínica e trabalha há algum tempo na área de Finanças e Contabilidade.

Adora meditar, ler e praticar yoga. Realiza voluntariado numa Casa de Acolhimento para crianças e jovens, e hoje é com ela que me inspiro.

 

Um dia decides mudar a tua vida.

Vais ao cabeleireiro para pôr uma nova cor no cabelo, vais à loja de desporto comprar uns tops catitas e umas leggings todas fashion para as tuas aulas de yoga e começas a ter consultas de nutrição.

A tua consciência alimentar vai mudando, os teus hábitos vão sendo cada vez mais saudáveis e tu sentes-te bem psicologicamente porque agora tens a certeza de ter adquirido um estilo de vida que se coaduna com os teus desejos.

A par disso, vai crescendo em ti uma vontade de explorar novas ideias, fazer contactos com pessoas aparentemente tão diferentes de ti mas com tanto para ensinar e aprendes coisas que há uns meses nem te passavam pela cabeça!

Descobriste uma nova app de meditação e todos os dias de manhã e à noite fazes a tua conexão contigo e com o universo.

Tens os teus problemas como sempre, o trânsito, o aborrecimento do trabalho, a pessoa de família melindrada que não pára de se queixar mas… estás em alta!

Apesar de todos os contratempos sentes que tudo em ti está aos poucos a mudar. Estás a tornar-te uma melhor pessoa e isso reflecte-se também nas tuas atitudes para com os outros.

Mas um dia ao acordar percebes que qualquer coisa não está bem…estás a

sentir-te angustiada.

Vais tomar o pequeno almoço e não te apetece a panqueca de aveia nem o smoothie de fruta. Atacas o café, pões adoçante (coisa que já tinhas deixado de fazer) e comes um pão com manteiga.

No trabalho sentes-te ausente, cansada, sem ânimo e precisamente naquele dia tens de enfrentar uma pequena guerra com o teu cliente mais complicado. Para descontrair, vais ao café e comes aquele salgado maravilhoso que parece satisfazer-te a alma.

À noite, quando chegas a casa olhas para o teu equipamento de yoga, olhas para o relógio e pensas “já não tenho tempo de me arranjar de forma a chegar a horas” quando na realidade isso significa “não tenho espirito para andar mais depressa, preciso de me esticar no sofá e fazer nada”.

Entretanto a tua mãe telefona a queixar-se do teu irmão e da tia que fez isto e aquilo e da vizinha que fez e aconteceu e tu não estás com a mínima paciência para corresponder a não ser soltando uns grunhidos “ hum, sim, não, hum”.

Antes de te deitares, aquela meditação maravilhosa já não parece tão encantadora, estás cansada e só queres ir dormir.

E depois vem a culpa.

Porque quebraste a rotina perfeita da tua dieta, porque não te sentes a 100% e não tiveste paciência para o teu cliente e para a tua mãe, porque poderias ter ido à aula de yoga recuperar as forças físicas e espirituais e cedeste à preguiça e, finalmente, naquele dia não meditaste!

Não lidaste com todas as situações do teu dia de acordo com o que havias planeado e isso deixa-te desalentada, com a sensação de que “estava tudo a correr tão bem!...”

Começas a pensar tens a obrigação de recomeçar mas... hummm ... já não é a

mesma coisa. O entusiamo já se foi e a motivação precisa de um boost.

Parabéns! Estás num dia “nem sempre zen”.

Repara que isto são situações e sensações correntes. Em princípio, ao longo da tua vida vais tendo altos e baixos. Uns dias são negros como a noite, outros brilhantes como o nascer do sol. Uns dias tens propósito, outro sentes-te distante e perdida.

E ainda assim segues em frente. Porque tem de ser.

Todos nós temos obrigações na vida, mesmo aquelas pessoas que supostamente têm a vida perfeita.

Quem trabalha por conta própria, naquele trabalho de sonho que tu admiras, tem de “ralar” para ter dinheiro para pagar as contas no final do mês - e sim, aquilo que te parece uma vida super fantástica também é um trabalho para a outra pessoa, ela também tem obrigações.

Este é só um exemplo, para dizer que a diferença entre nós e os outros pode

estar apenas na maneira como enfrentamos os desafios diários.

Ter um ou mais dias “nem sempre zen” é normal. Não tens de estar sempre em

alta, aliás, isso nem seria possível.

Catarina Rivera e Helena Marujo, no livro no livro “Positiva-mente” (A Esfera dos Livros, 2011), escrevem que:

“Ninguém consegue (nem deverá conseguir) estar sempre em alta emocional, pois o que é natural no ser humano é que passe pelo alargado leque de experiências emocionais positivas e negativas que a nossa sensibilidade e os acontecimentos de vida nos fazem viver.”

Por isso, descontrai, enfrenta a vida com um sorriso e se te apetecer fazer caretas faz.

No momento imediatamente a seguir a este tens a oportunidade de voltar a fazer tudo direitinho mas desta vez com a sensibilidade de que se falhares continua tudo bem, afinal de contas és humana.

Abraço companheiro,

Patrícia

 

De que forma este testemunho me pode inspirar?

Será que se aceitasse estes dias menos zen, algo mudaria na minha vida?

 

Segue a Patrícia: aqui e aqui!