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Simplesmente Simples

Simplesmente Simples

Qui | 25.10.18

Sobre Amar e Continuar

A convidada de hoje é a querida Joana. Ela tem  30 anos e diz-se apaixonada pela vida. Adora cozinhar, ler e viajar. Está actualmente a tirar o curso de health coach e após superação de compulsões alimentares e baixa autoestima utiliza hoje as redes sociais para inspirar a aceitação corporal e amor-próprio.

 

A auto-estima não vem de uma hora para a outra, mas quando decidimos aceitar-nos e cuidarmos do nosso coração, ela vem de certeza. Já passei muitos dias a criticar-me, a chamar-me todos os nomes e mais alguns por causa dos meus buraquinhos nas pernas. Já deixei de vestir calções e vestidos e de ir à praia. Já deixei que isto me controlasse. Agora não deixo mais. Agora tudo o que me controla é o amor. E é nele que trabalho todos os dias. No amor. No amor e no respeito por mim própria.

15 anos. Mais de 70 quilos e 1,65m de altura. Uma mãe que sempre me amou muito e que fez o melhor que sabia e conseguia na altura, mas que sempre me comparou muito com o meu irmão e nessas comparações, eu sempre sai a perder. Amigas super magrinhas e com as últimas roupas da moda. Bullying. Dietas. Perda de peso. Compulsões alimentares. Aumento drástico de peso. Uma dieta milagrosa, perda de peso e, de novo, mais compulsões. Resumo da minha vida dos 15 aos 27 anos de idade.

Toda a minha adolescência andou à roda disto mesmo. De perder peso, de fazer dietas malucas, de desenvolver uma compulsão alimentar gigante que durou imensos anos e que me roubou muita coisa. E a verdade é que esta relação com a comida não me roubou só saúde. Roubou-me momentos de felicidade e convívio com os meus amigos. Roubou-me sorrisos, risos e risadas daquelas que nos fazem doer a barriga, roubou-me sonhos, abraços e projetos e roubou-me a minha luz e a capacidade de acreditar em mim mesma. E numa madrugada chuvosa, sentada no chão da cozinha, super enjoada, mas ainda a comer bolachas de chocolate e nutella ás colheradas, percebi que não queria mais aquilo.

Não queria mais sentir-me assim. Não queria mais emagrecer rapidamente se isso significasse me sentir a pior pessoa do mundo e sem energia o dia todo. Se isso significasse ter mais compulsões e me sentir um lixo. Só queria ficar bem.

E foi nesse momento, em que percebi que mais do que ser magra e caber numas calças 36, queria muito sentir-me bem, queria muito sentir-me viva e feliz outra vez, que tudo começou a mudar.

Quando deixei de me agarrar a um ideal de beleza e me comecei a preocupar mais com o meu coração.

Encontrei a minha garra, a minha voz e a minha luz. E com a minha mudança interior, veio toda uma mudança exterior que até hoje se mantém.

Não vos posso dizer que foi um processo fácil e rápido pois estaria a mentir-vos. Este amor que hoje sinto por mim mesma foi construído gradualmente e é um amor que tem de ser fomentado todos e todos os dias. Mas que vale a pena. Vale tanto e sempre a pena.

Comecei a meditar, a escrever tudo o que sentia no meu caderninho, a cozinhar a minha própria comida, a analisar o que potenciava as minhas compulsões com a ajuda de uma psicóloga, a fazer afirmações, a dançar em frente ao espelho, a agradecer diariamente, a trocar as reclamações pelo silêncio ou pelas criticas construtivas. Comecei a cuidar mais do meu coração e a tentar perceber o que me fazia verdadeiramente feliz.

E, hoje em dia, quando me sinto mais ansiosa ou menos bem comigo mesma ou quando as minhas inseguranças corporais vêm ao de cima... tomo um banho quente, faço um chazinho, leio o meu livro favorito ou canto uma qualquer música brasileira e aceito... aceito que nem sempre posso estar a 100% ou sempre cheia de energia e repito para mim mesma “Está tudo bem Joana. Esse aperto no coração vai passar. Respeita o teu tempo e o teu momento. Como te sentes agora não te define nem te desvaloriza. Estás bem e tudo irá ficar bem. Estás segura. E vales muito. E vales sempre muito. Cuida de ti. Do teu coração e da tua luz. Dessa luz que trazes dentro do peito. Cuida da história de amor que tens contigo mesma. Essa sim... é e sempre será uma história de amor para a vida toda. Está tudo bem.”

 

Este testemunho sincero da Joana poderá contribuir com algo para a minha vida e crescimento?

O que poderei fazer hoje para ultrapassar estas incertezas e desamor pelo que considero serem as minhas imperfeições?

 

Segue a Joana: aqui!

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