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Simplesmente Simples

Simplesmente Simples

Sobre Dar o Salto de Fé

Hoje inspiro-me com uma amiga de longa data, que mudou tudo e foi trabalhar para outro país.

A Catarina tem 27 anos, estudou Ciências Biomédicas, e após aproximadamente 25 anos a viver em casa dos pais como filha única saiu da sua zona de conforto e foi atrás daquilo que queria. Apesar de não ter blogues, projectos e instagram famoso repleto de seguidores, também pode ela ser uma verdadeira inspiração.

 

Mudança. Há cerca de dez meses que a minha vida mudou completamente. Mudei de país.

Em Fevereiro de 2016 terminei o meu mestrado em Ciências Biomédicas e sendo eu portuguesa vivendo em Portugal sabia claramente que seria difícil encontrar trabalho num país onde a procura é muito maior que a oferta e onde os requisitos de experiência profissional não são suportados pela grande maioria a entrar no mercado de trabalho.

Um misto de entusiasmo e apreensão estavam presentes na primeira fase de procura de emprego. Já não sou estudante, vou entrar no mundo real do trabalho. No entanto, depois de um par de meses sem resposta às dezenas de candidaturas e currículos enviados a apreensão sobressaiu e sem poder continuar neste limbo tomei a decisão de arranjar um emprego de verão.

Sendo eu algarvia e estando o verão a aproximar-se não foi difícil arranjar um part-time como caixa de um hipermercado enquanto continuava a minha procura. O verão passou e acabou o part-time como caixa, assim como o entusiasmo na procura de emprego e nesse momento instala-se o medo de "E se eu não encontrar trabalho na minha área?", " Qual é o meu plano B?", "Não quero continuar a viver com os meus pais para sempre!", "Quero e preciso de independência", "Sinto-me presa nesta vida que não me está a levar a lado nenhum!", "...". Estas perguntas constantes na minha cabeça continuaram até Janeiro do ano seguinte quando surgiu a minha primeira entrevista e eu pensei "É agora! Chegou a minha vez", "Está na altura de a minha vida andar para a frente em vez de me sentir estagnada com todos a avançar à minha volta".

A esperança que acompanhava a primeira entrevista rapidamente passou juntamente com as mais cerca de quinze entrevistas que fiz a seguir e deram em nada. Com o passar do tempo a melancolia, o desespero, a angústia e o medo de estagnar na vida aumentam. Aproximando-se novamente o verão segui outra vez o caminho mais fácil. Trabalho de verão e desta vez com um contrato mais longo.

Sabia bem estar a receber dinheiro para me tornar mais independente financeiramente e o tempo foi passando. Passou um mês, passaram dois, passaram três e confesso que num certo ponto desisti, não totalmente, mas desisti de enviar currículos, de ser chamada para entrevistas que davam em nada e acomodei-me ao trabalho pacato de verão e ao dinheiro certo no fim do mês. Passado o verão comecei a pensar que a minha vida não podia ser só isto. Andei a investir o meu tempo, os meus neurônios, horas de vida e dinheiro dos meus pais e agora acomodo-me assim!?

Voltei à procura de emprego e consequentemente voltou o medo e a angústia. Comecei até a enviar alguns currículos para fora de Portugal com aquele típico pensamento português: " Perdido por cem, perdido por mil." Certo dia recebo uma chamada para uma entrevista via videoconferência em Espanha, ao qual tinha concorrido já há algumas semanas. A entrevista correu normalmente com o meu nervosismo normal em entrevistas, e confesso, que já tive entrevistas que me tivessem corrido melhor.

Passado uma semana recebo um email com uma proposta de trabalho! Quando leio o email a pensar que seria mais um “Lamento, mas não foi a escolhida para a vaga.", deparo-me com um sim! "Oh meu deus! Tenho emprego! Na minha área profissional! É em Espanha! Oh meu deus! O que vou eu fazer? Vou para Espanha? Nunca pensei a sério na hipótese de emigrar. Vou deixar os meus pais!?"

Confesso que já tinha a necessidade de ter o meu espaço e morar fora de casa. Mas nunca pensei que sairia de casa para ir para outro país! Mas, no entanto, só podia dizer que sim. Foi a única proposta que surgiu no último ano e meio e é uma oportunidade de ganhar experiência para o meu currículo profissional. É longe? Sim. Mas vou aproveitar, vou experimentar e acima de tudo nunca ficarei a pensar "E se?". Aceitei.

Passado duas semanas estava eu em Espanha. O início da viagem foi logo uma aventura um tanto ao quanto duvidosa. Problemas com o voo e problemas com a casa que tinha alugado via internet, o que me fez logo pensar " Que vim eu para aqui fazer!?" No início há sempre medo, mas nada que uns bons minutos de choro não ajudem a passar. Medo do desconhecido porque é uma cidade nova, um país novo, pessoas novas, uma língua nova, mas acima de tudo medo de falhar. Falhar no que me tinha levado a fazer esta mudança. Mas apesar de tudo isto sempre tentei ter os pés assentes na terra.

Inicialmente ia dois meses à experiência num contrato de seis meses. "Se correr mal, tenho tudo à minha espera da mesma forma como deixei." Quando passei os dois meses de experiência pensei "Agora fico seis meses" e depois renovaram o contrato por mais seis e pensei "Agora vou ficar um ano".

Estou há dez meses em Santiago de Compostela e a experiência é positiva. Embora não tenha sido exactamente como estava à espera, coisa que nunca é, a experiência continua a ser positiva. Conheci pessoas novas, bons colegas de trabalho, e alguns que espero vir a chamar amigos no futuro. Aprendi uma nova língua, não completamente, mas o suficiente para sobreviver em Espanha até agora. Conheci sítios novos, adoro viajar.

Agora quando penso quanto tempo lá vou ficar penso que fico enquanto houver trabalho e oportunidade de crescer e enriquecer o meu currículo. Fico até encontrar uma melhor oportunidade. Uma coisa é certa, quero voltar a Portugal. Só espero que Portugal tenha lugar para mim.

 

O que este testemunho poderá trazer de novo à minha vida?

O que poderia mudar na minha vida se levasse a mesma coragem que ela?

Estará em mim o poder de decisão da mudança?

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